Decreto-Lei n.º 126/2017 de 4 de outubro O Decreto n.º 18.373, de 22 de maio de 1930, reconheceu a conveniência de «uniformizar em Portugal o método de leitura e escrita do Sistema Braille para uso dos cegos, em harmonia com a nova ortografia oficial», e aprovou o método de leitura que faz parte integrante do referido decreto. Sucede que a realidade braillográfica então decretada deixou de satisfazer, desde há muito, as necessidades sentidas pelos utilizadores, que tiveram de passar a aplicar o Braille não só à escrita vocabular, quer no modo integral quer no estenográfico, como também à escrita, nomeadamente, da matemática, da química, da fonética, da informática, da música. Por outro lado, o Sistema Braille deixou de ser apenas um código elementar de leitura e escrita tátil para se tornar também no cerne de uma vasta problemática hoje em dia merecedora do interesse académico, dando origem a investigação desenvolvida nos seus vários domínios, servida por uma já ampla e reputada bibliografia. Assim, torna -se necessário oficializar o material signográfico e as suas diversas aplicações braillográficas e definir as condições adequadas ao enquadramento, estruturação, normalização e orientação do emprego do Braille, bem como o seu desenvolvimento como o meio natural de leitura e escrita das pessoas com deficiência visual, o que o torna numa ferramenta imprescindível à sua integração familiar, escolar, profissional e social. Além do que a normalização e a oficialização do Sistema Braille constitui uma antiga aspiração das pessoas com deficiência visual e das suas organizações representativas, as quais, em Portugal como em todo o mundo e por largo tempo, têm vindo a promover empenhadamente a sua adoção. Assim: Nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 198.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte: Artigo 1.º Objeto É aprovado o Sistema Braille, vigente em Portugal, em anexo ao presente decreto -lei e do qual faz parte integrante, como matéria para aplicação às diferentes grafias do Braille. Artigo 2.º Sistema Braille 1 — O Sistema Braille é um código universal de leitura tátil e de escrita, usado por pessoas cegas. 2 — Os sinais do Sistema Braille aplicam -se a todas as grafias, designadamente, à Língua Portuguesa, Matemá- tica, Química, Música e Informática. 3 — O sistema Braille assenta numa matriz de 6 pontos. 4 — Para permitir a representação em Braille de cada um dos pontos de código das tabelas de codificação de carateres, incorporadas nas tecnologias da informação e comunicação, são sotopostos ao ponto 3 e ao ponto 6 da célula Braille, respetivamente os pontos 7 e 8. Artigo 3.º Aprovação das grafias 1 — A aprovação das grafias referidas no n.º 2 do artigo anterior, é objeto de despacho a publicar pelos membros do Governo responsáveis pelas áreas da deficiência, da educação e da ciência, tecnologia e ensino superior, sob proposta do organismo público que tem a cargo o planeamento, execução e coordenação das políticas destinadas a promover os direitos das pessoas com deficiência. 2 — Após a publicação do despacho referido no número anterior, a divulgação das grafias faz -se pela publicação das mesmas nos sítios oficiais da Internet do Instituto Nacional para a Reabilitação, I. P., da Direção -Geral da Educação e da Direção -Geral do Ensino Superior. 3 — A proposta referida no n.º 1 é elaborada pelo Nú- cleo para o Braille e Meios Complementares de Leitura, no âmbito das respetivas competências. Diário da República, 1.ª série — N.º 192 — 4 de outubro de 2017 5595 Artigo 4.º Norma revogatória É revogado o Decreto 18.373, de 22 de maio de 1930. Artigo 5.º Entrada em vigor O presente decreto -lei entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação. Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 10 de agosto de 2017. — António Luís Santos da Costa — Manuel Frederico Tojal de Valsassina Heitor — Tiago Brandão Rodrigues — José António Fonseca Vieira da Silva. Promulgado em 11 de setembro de 2017. Publique -se. O Presidente da República, MARCELO REBELO DE SOUSA . Referendado em 28 de setembro de 2017. O Primeiro -Ministro, António Luís Santos da Costa.